Projeto da USP aproxima a música erudita do público infantil

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Concertos didáticos, promovidos pela Orquestra Sinfônica da USP desde 2018, unem teatro e música erudita

Os concertos didáticos Dominó Sinfônico, da Orquestra Sinfônica da USP (Osusp), que desde 2018 têm a participação de estudantes de Artes Cênicas da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP, ganharam neste ano uma parceria com alunos de Relações Públicas, também da ECA. Os concertos ganharam status de peça, em que trechos de músicas eruditas apresentados pela orquestra são entremeados por uma história de mistério. O objetivo, segundo Mayra Moraes, vice-diretora da Osusp, é aproximar o público infantil do universo musical. “As crianças conhecem o ritual de uma sala de concerto e aprendem de forma lúdica, divertida e leve como funciona uma apresentação”, afirma Mayra.

Segundo ela, é desde pequeno que se constrói um repertório sinfônico. “Assim como é desde criança que se aprende a comer legumes”, brinca. Muitas músicas são reconhecidas pelas crianças, de musicais ou até de comerciais. “Elas já conseguem fazer algumas conexões”, informa. A novidade, em 2019, é que foram acrescentados mais trechos da Nona Sinfonia, de Beethoven, aumentando em cinco minutos a duração do espetáculo. O projeto piloto foi apresentado em abril de 2018, e no segundo semestre daquele mesmo ano a apresentação já tinha ganhado os palcos da Sala São Paulo.

Com essa nova parceria entre a Osusp e o Departamento de Relações Públicas da ECA, a equipe ganhou fôlego para monitorar os alunos, desde a saída do ônibus até a entrada na sala de espetáculo e a volta para a escola. Além das pessoas que trabalham no setor administrativo da orquestra, incluindo a vice-diretora, também estão envolvidos os alunos dos dois departamentos da ECA e estagiários do Programa USP Aproxima-Ação, da Pró-Reitoria de Cultura e Extensão Universitária (PRCEU) da USP. Como informa a vice-diretora da Osusp, são cerca de 30 pessoas que trabalham nos bastidores, além de uma equipe de bombeiros e ambulâncias, para que tudo dê certo..

Mas como funciona o projeto? Dois meses e meio antes da apresentação, a Osusp envia convites às escolas públicas e particulares do entorno da Cidade Universitária, na zona oeste de São Paulo. As escolas se inscrevem e, num primeiro momento, os professores são orientados sobre o projeto e como trabalhar o tema em sala de aula. Depois, próximo ao evento, novamente se reúnem com os monitores para repassar os principais pontos. Segundo Mayra, a orquestra está fazendo seu papel, abrindo as portas para acolher essas crianças.

O concerto realizado neste primeiro semestre, em maio passado, contou com um público de 700 pessoas, entre crianças, pais, professores e monitores. Foi oito o número de escolas participantes, incluindo a Alceu Amorim Lima, em que 225 pessoas, entre alunos e educadores, vieram a pé para assistir ao espetáculo. O resultado, segundo Mayra, é uma energia e vibração enormes. Depois, em sala, os alunos representam, em desenhos ou textos, o que viram e sentiram. “Eles saem felizes”, diz Mayra, e isso reflete nos trabalhos.

O projeto está dando “muitos frutos” nas palavras da vice-diretora. Além dos concertos didáticos programados para o segundo semestre – em 13 de outubro, dentro da série de concertos matinais da Sala São Paulo, e 22 de outubro, no Centro de Difusão Internacional (CDI) da USP, na Cidade Universitária –, a Secretaria de Cultura de Cotia já está em conversação com a Osusp para participar do programa.

Música e teatro juntos

Regido pelo maestro William Coelho, o concerto Dominó Sinfônico possui uma estrutura de espetáculo cênico-musical, apresentando cerca de 50 melodias, entre as mais famosas obras sinfônicas. Com arranjos assinados por Adail Fernandes, estão trechos de A Flauta Mágica, de Mozart, Ave Maria, de Schubert, Pedro e o Lobo, de Prokofiev, Inverno, um dos movimentos das Quatro Estações, de Vivaldi, Carmen, de Bizet, O Lago dos Cisnes e O Quebra-Nozes, de Tchaikovisky, Danúbio Azul, de Strauss, Nona Sinfonia, de Beethoven, Suíte Orquestral nº 3, de Bach, e as Bachianas, de Villa-Lobos.

Uma história de mistério ronda os cinco movimentos. Joana é aprendiz em um laboratório de química, mas adora música e sempre foge do trabalho para a sala de concertos ao lado. Ao mesmo tempo em que ela vive um embate entre a química e a música (que descobre ser uma profissão), um vilão tenta roubar a fórmula secreta do seu professor de química – personagem baseado no famoso alquimista francês Nicolas Flamel (1340-1418). Na trama, o próprio maestro tem um papel decisivo e, enquanto a história perpassa o repertório do concerto, também são narrados aspectos da linguagem musical.

“É um espetáculo que agrada crianças e adultos”, ressalta Mayra, acrescentando que essa aproximação entre a música e o público retira aquela ideia de que o erudito é para poucos. “A música faz parte da história da humanidade.”

Fonte: Jornal da USP

 

 

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